Pra comer, beber e conversar

Respirando outros ares

Rio de Janeiro de novo – Zona Sul

Outro casamento, outra viagem ao Rio. Dessa vez nos hospedamos em Copacabana, para ficarmos bem próximos ao local da festa. Não poderíamos ter feito melhor escolha! Estávamos a menos de 200m do clube e pudemos ir e voltar caminhando.

Como a festa foi sexta à noite, planejamos passar o sábado inteiro batendo perna. Após um passeio por Copacabana (incluindo o Forte) e uma tarde no Leblon, voltamos ao hotel para descansar e nos prepararmos para a noite. Saímos por volta das 19h30, já com o roteiro na cabeça.

A primeira parada foi o Astor Rio. Ele fica no comecinho de Ipanema, na Vieira Solto. Quando chegamos já estava lotado,  tanto que não conseguimos mesa e nos aboletamos no balcão mesmo. Antes de fazermos nossos pedidos, acho que o barman percebeu que eu estava quase babando enquanto ele preparava um drink e nos deu um “chorinho” para iniciar.

Chorinho

Não sei exatamente do que se tratava o drink, mas tinha um gostinho de café. Não tomei tudo, pois era feito com destilado e preferi não misturar com a bebida que eu ainda ia pedir.

Como sempre, pedi o que mais gosto de beber: espumante. E Ele pediu o também recorrente Dry Martini.

Para começar a noite, espumante e dry martini

Como almoçamos bem pouquinho e a fome já estava batendo, pedimos uma porção de bolinhos de arroz. Não estavam tão sequinhos como eu gostaria e faltava um pouquinho de tempero… mas tabasco neles! Ficaram ótimos. Me lembro de ter tirado foto, mas ela deve ter se perdido em algum momento.

O restaurante escolhido para o jantar foi o Pomodorino, na Lagoa. Ele foi eleito a melhor carta de vinhos pela Veja Comer & Beber Rio. Além de trazer ótimos rótulos, eles são vendidos a preços muito convidativos. Não por outro motivo, desde que saímos do hotel, Ele já sabia o que iríamos tomar.

O Pomodorino está instalado em um bonito casarão, bem em frente à Lagoa. Após o portão de entrada, esperamos alguns minutos em uma alameda fracamente iluminada, sentados em um banco de praça. Um charme. Tinha também duas pequenas mesas para grupos um pouco maiores.

Fachada do Pomodorino

Ainda lá fora, pedimos nossa bebida. O astro da noite seria um Veuve Clicquot. Estava demorando! Afinal, o nome do blog tem tudo a ver com ela, mas ela ainda não havia aparecido por aqui. Infelizmente não conseguimos começar a beber durante a espera, pois nossa mesa logo ficou pronta.

A Viúva
Borbulhas hipnotizantes

Tínhamos comido os bolinhos de arroz no Astor, então pulamos direto para os pratos principais. Procuramos opções leves, para não ofuscar o brilho da viúva. Escolhi uma massa com molho de frutos do mar, que levava creme de leite. Ele pediu outra com camarões e lâminas bem finas de salmão defumado. O meu prato estava muito muito gostoso mesmo. O dele, nem tanto. A principal característica para o sucesso de um prato é o equilíbrio. Sabendo equilibrar os ingredientes, quaisquer que sejam, ele fica gostoso. No caso dessa massa, o alho (sim, ele, o temido!) estava se sobressaindo. E, mesmo que algo tivesse que se sobressair e estar um pouco desequilibrado, esse algo não deveria ser o alho. Definitivamente. Mas… não podemos dizer que estava ruim.

O delicioso molho de frutos do mar com creme de leite
O desequilibrado saboroso

Para a sobremesa, escolhemos uma torta quente de chocolate, com sorvete. Quando chegou, vimos que tratava-se do ilustre petit gateau. Mas não desagradou, em hipótese alguma. O bolinho veio quente na medida, com calda na medida e dulçor na medida também. Não dá pra não gostar. Só de lembrar… água na boca.

Delícia

Mais uma noite espetacular no Rio de Janeiro. Estou gostando cada vez mais dessa cidade e ainda espero poder voltar muitas vezes. Afinal, ela tem muito de maravilhosa sim.

Só pra finalizar, uma homenagem a essa cidade. http://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ

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Uma noite em Santa Teresa – Rio de Janeiro

Eu nunca havia ido ao Rio. Quando já tínhamos fechado a viagem, para ir a um casamento, Ele me perguntou o que eu queria conhecer na cidade. Como seria apenas um final de semana e, com certeza, pouco tempo para ver muitas coisas, eu disse que queria “conhecer o Rio através dos olhos dele”. Como Ele já havia estado lá algumas vezes, escolheria os locais a me levar. Quando estávamos no aeroporto para o embarque, apareceu com um papelzinho cheio de anotações de locais para irmos.

Estava um final de tarde feio e meio chuvoso. Sair de São Paulo numa sexta-feira com sol e chegar ao Rio e encontrar céu cinza e garoa… tinha alguma coisa errada. As situações se inverteram. Mas nada abalou nossa vontade de sair. Ele quis ir para Santa Teresa, pois era um local novo pra ele também. Muito bom, conheceríamos juntos!

Saímos do hotel (no centro) cedo, por volta das 18h30, para aproveitar bastante a noite. Não poderíamos ter feito melhor escolha.

Após a missão quase impossível de encontrar um taxista que “aceitasse” nos levar a Santa Teresa, nossa primeira parada foi o Bar do Mineiro, no Largo dos Guimarães. Tradicional ponto de encontro local, o bar é bem simples, ótimo para uma cerveja de garrafa com comida de boteco. Logo na capa do cardápio, estava a “Trouxinha de Minas”, petisco participante do concurso “Comida di buteco” edição Rio. Já que merecia participar de um concurso, merecia ser pedido por nós. Uma troxinha frita, feita de massa de pastel, com recheio de creme de abóbora com carne seca. Acompanhando, veio um molhinho de laranja ao mesmo tempo adocicado e apimentado, mas também combinou muito bem com aquela pimenta simples, que sempre fica sobre as mesas de boteco.

Fachada do bar – Detalhe para os charmosos trilhos do bondinho, bem em frente.

A “trouxinha.”

Terminada nossa cerveja e nosso aperitivo, saímos a pé para o segundo local do “papelzinho”. Duas ruas abaixo fica o Armazém São Tiago (www.armazemsaotiago.com.br). Porém, quando chegamos lá, encontramos o bar fechado. Pois é, estava fechado para reforma e abriria daí a uma semana apenas. Ficamos ainda alguns instantes em frente à porta fechada, quando um simpático “nascido e criado em Santa Teresa” nos viu e veio conversar. Disse que estava fechado para reforma, mas ia ficar lindo, o telhado ia ficar diferente, muito mais bonito, “vem aqui dar uma olhada pela fresta da janela”… Foi tão simpático que resolvemos perguntar a ele onde teria outro bar bacana para tomarmos uma cerveja. Ele logo apontou uma portinha ao lado e chamou o dono para nos atender. Como não achamos o bar tão legal assim, apenas pedimos nossas cervejas, pagamos e saímos novamente para caminhar pelas ruas de pedra do bairro. Tiramos fotos, passamos em frente a todos os restaurantes, analisamos fachadas e cardápios. Quando nossas cervejas acabaram, fomos para os últimos, e mais charmosos, lugares da noite.

Se o Armazém São Tiago estivesse aberto, seria assim.

A entrada principal do Hotel Santa Teresa (www.santa-teresa-hotel.com) fica em um ponto geograficamente alto do bairro, em uma ladeirinha bem graciosa (A entrada secundária fica em uma rua ainda mais graciosa, no quarteirão de trás, no caminho que fizemos do Bar do Mineiro para o Armazém São Tiago). O espaço externo é muito bonito, digno de um hotel cinco estrelas. Lá, além da hospedagem, estão um bar e um restaurante.

O Bar dos Descasados é um local bem incomum (pelo menos pra mim!), não possui mesas e cadeiras como qualquer outro bar. É bem espaçoso e quase não possui luz, além das poucas velas acesas. Está disposto em forma de nichos, com sofás para grupos de amigos, ou casais, e mesas de centro.  Nós ficamos em um grande sofá, que mais parecia uma chez, voltado para a varanda (a garoa já tinha desistido de tentar melar nossa noite e todas as portas da varanda estavam abertas). Uma vista incrível, que sempre terei na memória. Na verdade, nada demais… casas e predinhos antigos e telhados de casas e predinhos antigos, mas só estando lá para sentir a mágica daquela vista.

A única, e de péssima qualidade, foto que tirei do bar.

Tomei espumante rosè (duas taças, hic), que é uma das bebidas que mais gosto entre todas, e ele tomou um dry martini. Passamos um tempo delicioso conversando, falando besteira, olhando lá pra fora e sonhando com o futuro… aproveitamos bastante o Bar dos Descasados.

Finalmente, fomos para o restaurante, que fica em frente do bar. O Térèze é um dos restaurantes mais bem cotados do Rio de Janeiro, a decoração é clean, bem charmosa, com luz na medida certa. O atendimento é bastante atencioso e cordial.

Térèze visto do pátio entre o bar e o restaurante. Detalhe dos telhados das casas e predinhos.

De entrada pedimos bruschetta caprese. Foi bastante cômico, pois estávamos esperando o padrão: pequena travessa com fatias de pão italiano, cobertas com tomates picados, azeite e manjericão. Começando pelo prato (a louça mesmo) , todo diferenciado, a bruschetta nos surpreendeu, pois era diferente de todas as outras que já tínhamos comido. Infelizmente meu despreparo me fez esquecer de tirar fotos. Aliás, se tem alguém aí prestando atenção, já percebeu que depois de todo esse passeio e, principalmente, de toda essa bebida… é bem compreensível o fato de eu ter esquecido das fotos.

Como pratos principais, Ele comeu peixe e eu carne, ambos sugeridos pelo garçom. Mesmo parecendo impossível, ainda conseguimos tomar os vinhos que harmonizavam com os pratos. Apenas uma taça para cada um. Afinal, uma ótima refeição “precisa” ser acompanhada por um bom vinho. E, como a noite era de festa e já tínhamos perdido qualquer tipo de noção alguns mililitros antes, nos demos ao luxo de pedir sobremesas. Fiquei com um delicioso petit gato (eles escrevem assim no cardápio) e Ele ficou com um goiabada cheesecake. Noite fechada com chaves de ouro.

Única foto tirada no Térèze.

Voltei pra casa com esse pedacinho do Rio no meu coração. Sem querer ser piegas, mas já sendo, foi uma noite mágica. Cada momento dela, cada sorriso, cada gole, cada borbulhinha. Quero voltar, com certeza.

Acho que cometi um engano ao escrever esse título. Não foi uma noite em Santa Teresa. Posso dizer, com bastante brilho nos olhos, que foi a noite em Santa Teresa.

Até a próxima.